
A empresa que quase acabou — e voltou mais forte
Em maio de 2019, A história da Huawei tem um ponto marcante, o governo dos Estados Unidos colocou uma empresa chinesa na sua lista negra. Era a Huawei — e a decisão foi como uma bomba no mundo da tecnologia.
Da noite para o dia, a segunda maior fabricante de smartphones do planeta perdeu o acesso ao Android. O Google cortou as atualizações. A Qualcomm parou de fornecer chips. A Microsoft suspendeu parcerias. A TSMC, a maior fábrica de semicondutores do mundo, foi proibida de fabricar os processadores da empresa chinesa.
Para qualquer empresa do mundo, isso seria uma sentença de morte. Para a Huawei, foi o começo de uma das histórias de resiliência mais impressionantes da indústria tecnológica.
Mas para entender como a Huawei sobreviveu e voltou ao ataque, é preciso começar pelo início — numa pequena sala em Shenzhen, em 1987, com um ex-militar, três funcionários e o equivalente a US$ 5.600 no bolso.
| A Huawei hoje: presente em mais de 170 países, mais de 208 mil funcionários, maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo e criadora do HarmonyOS — o terceiro sistema operacional móvel do planeta, desafiando Android e iOS. |
1987: um ex-militar, uma sala alugada e um sonho grande
Quem é Ren Zhengfei?
Ren Zhengfei não é o tipo de fundador que você está acostumado a ver nas histórias de startups de tecnologia. Não era jovem, não tinha capital de risco e não saiu de uma universidade de elite dos EUA. Era um ex-engenheiro militar do Exército de Libertação Popular da China, que, aos 43 anos, depois de sair do exército e perder o emprego numa empresa estatal, decidiu começar do zero.
Em 1987, Ren fundou a Huawei Technologies em Shenzhen — a cidade que o governo chinês havia transformado em zona econômica especial para atrair investimentos e inovação. O capital inicial era de 21.000 renminbis, cerca de US$ 5.600 na época — compartilhado entre Ren e alguns sócios. A equipe inteira caberia num apartamento pequeno.
O nome Huawei (华为, Huáwéi) tem um significado profundo em chinês: pode ser interpretado como “feito na China” ou “excelência da China” — uma declaração de intenções que, na época, poucos levaram a sério, mas que se tornaria uma profecia.
O negócio que ninguém queria
O primeiro produto da Huawei não era glamoroso. A empresa revendia aparelhos PBX — aquelas centrais telefônicas corporativas que gerenciam chamadas internas em empresas e hotéis. Não era invenção dela: era simplesmente importação e distribuição de equipamentos de Hong Kong.
Mas Ren Zhengfei tinha um plano diferente dos revendedores comuns. Desde o início, ele reinvestia quase todo o lucro em pesquisa e desenvolvimento. Enquanto a maioria dos competidores se contentava em vender o produto dos outros, a Huawei queria criar o seu próprio.
Em 1990, com apenas três anos de existência, a empresa já tinha cerca de 500 funcionários trabalhando em P&D — uma proporção absurda para uma empresa daquele tamanho. Era o embrião de uma cultura de inovação que persistiria por décadas.
| Dado curioso: Ren Zhengfei detém apenas 1,14% das ações da Huawei. O restante é propriedade dos próprios funcionários — mais de 96 mil deles, por meio de um programa de ações. Nenhum investidor externo, nenhum fundo de capital de risco, nenhuma empresa estrangeira tem participação. É uma das estruturas de propriedade mais incomuns entre as grandes corporações do mundo. |
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Anos 1990: da China rural para o mundo
A aposta nas telecomunicações
Em 1993, a Huawei deu o primeiro grande salto tecnológico: lançou seu próprio switch telefônico digital C&C08 — um equipamento que conectava redes de telefonia em escala. Era um produto que, até então, as empresas chinesas precisavam importar das gigantes ocidentais como Ericsson, Nokia-Siemens e Alcatel.
A estratégia de entrada foi brilhante pela simplicidade: começar pelas áreas rurais e cidades pequenas que as multinacionais ignoravam. Ninguém queria vender infraestrutura de telecomunicações para o interior da China — era pouco lucrativo, logisticamente complicado e culturalmente desafiador. A Huawei foi lá.
Com preços menores que os dos concorrentes internacionais e um serviço pós-venda que ia até onde os outros não queriam, a empresa foi construindo uma rede de clientes leais, cidade por cidade, região por região. Em alguns anos, ela tinha penetração em todo o território chinês.
1997: a viagem que mudou tudo

Em 1997, Ren Zhengfei fez uma viagem histórica aos Estados Unidos. Visitou empresas como IBM, Bell Labs e Hewlett-Packard — as melhores do mundo em tecnologia corporativa. E voltou para a China profundamente impactado com o que viu.
A conclusão foi clara: a China estava décadas atrás. Mas também estava claro o caminho. Ren contratou a IBM para reformular completamente a gestão, os processos e a cultura da Huawei — um projeto que durou anos e custou centenas de milhões de dólares. A ideia era simples e ousada: aprender com os melhores do mundo para eventualmente superá-los.
Foi também nos anos 90 que a Huawei deu os primeiros passos internacionais, exportando seus equipamentos para países em desenvolvimento na Ásia, África e América Latina — mercados que as gigantes europeias e americanas desprezavam por serem “de baixo valor”.
Anos 2000: conquistando a Europa e entrando nos smartphones
A chegada ao mundo desenvolvido
No começo dos anos 2000, a Huawei era grande na China e crescente no mundo em desenvolvimento. Mas os mercados realmente valiosos — Europa, América do Norte, Japão — ainda pareciam fora de alcance. As empresas de telecomunicações locais desconfiavam de produtos chineses, e as pressões políticas para bloquear a empresa já começavam a aparecer.
A Huawei respondeu com uma combinação de preço agressivo e qualidade surpreendente. Seus roteadores e equipamentos de rede custavam entre 30% e 50% menos que os da Cisco, Ericsson e Nokia — e funcionavam bem. Gradualmente, as operadoras europeias começaram a optar pela empresa chinesa para construir suas redes de telecomunicações.
Em 2005, a British Telecom — uma das operadoras mais tradicionais do mundo — selecionou a Huawei como fornecedora preferencial de infraestrutura. Era um selo de qualidade que abriu portas em toda a Europa.
2009: o primeiro smartphone e a era do consumidor
Por décadas, a Huawei foi uma empresa B2B — vendia para operadoras e governos, não para pessoas físicas. Isso mudou em 2009, quando a empresa lançou seu primeiro smartphone. Em 2010, veio o Ideos — o Android mais barato do mundo na época, vendido por menos de US$ 80. Não era um produto premium, mas foi a porta de entrada de milhões de pessoas para os smartphones modernos.
A divisão de consumidor da Huawei cresceu rapidamente. A empresa lançou as linhas Ascend, Honor (uma submarca mais acessível) e Mate — esta última focada em produtividade e usuários de negócios.
2015 a 2019: a era de ouro — câmeras Leica e liderança global

A parceria que redefiniu a fotografia mobile
Em 2016, a Huawei anunciou uma parceria que chocou o mercado: colaboração com a Leica — a lendária fabricante alemã de câmeras, fundada em 1914 e famosa por capturar momentos históricos icônicos, das guerras mundiais à queda do Muro de Berlim. Era a parceria de um fabricante chinês de smartphones com um dos símbolos mais nobres da fotografia mundial.
O primeiro fruto foi o P9, lançado em 2016 com câmera dupla desenvolvida em conjunto com a Leica. O resultado era visível: fotos com profundidade, contraste e naturalidade que rivalizam com câmeras profissionais. A imprensa especializada ficou impressionada. O público, ainda mais.
P20 Pro e P30 Pro: o topo do mundo
Em março de 2018, o P20 Pro entrou para a história. Com câmera tripla de 40 megapixels desenvolvida com a Leica, o aparelho foi avaliado pelo site especializado DxOMark como a melhor câmera de smartphone do mundo — deixando para trás iPhone XS e Samsung Galaxy S9.
Em 2019, o P30 Pro foi ainda mais longe. Com sensor principal de 40 megapixels com tecnologia RYYB (que capta mais luz que os sensores convencionais), teleobjetiva periscópica, zoom óptico de 5x e zoom digital de até 50x, o celular parecia ficção científica. O DxOMark deu ao P30 Pro 112 pontos — recorde absoluto da época, colocando-o na liderança global por meses.
Enquanto isso, no segmento de infraestrutura, a Huawei já liderava o desenvolvimento do 5G — a tecnologia de rede de próxima geração. Em 2018, realizou a primeira chamada de vídeo multiplayer em rede 5G do mundo. O mundo estava assistindo a uma empresa chinesa redefinir os padrões tecnológicos globais.
| O auge: 2018-2019 |
| Em 2018, a Huawei ultrapassou a Apple em volume de smartphones vendidos, tornando-se a segunda maior fabricante do mundo, atrás apenas da Samsung. Em 2019, estava no caminho de superar a Samsung no próximo ano. O departamento de consumidor era um dos negócios de maior crescimento do setor. O futuro parecia ilimitado. |
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Maio de 2019: o dia em que o mundo mudou — o banimento americano
A “Entity List” e o choque global
Em 15 de maio de 2019, o governo do presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva colocando a Huawei na “Entity List” — a lista negra do Departamento de Comércio dos EUA. Na prática, nenhuma empresa americana poderia fazer negócios com a Huawei sem uma licença especial do governo.
As consequências foram imediatas e devastadoras. O Google suspendeu o acesso ao Android para novos aparelhos Huawei — sem Gmail, sem YouTube, sem Google Maps, sem Play Store. A Qualcomm parou de vender chips. A Intel cancelou contratos. A ARM, empresa britânica cujas arquiteturas estão na base de quase todos os processadores modernos, também suspendeu a colaboração.
De uma hora para outra, a empresa que estava prestes a se tornar a maior fabricante de smartphones do mundo se viu isolada do ecossistema tecnológico global.
Por que os EUA baniram a Huawei?
O governo americano alegou que a Huawei representava um risco à segurança nacional, argumentando que a empresa poderia usar sua infraestrutura de telecomunicações para espionar governos e cidadãos em favor do governo chinês. A Huawei negou categoricamente as acusações e nunca foram apresentadas evidências públicas conclusivas.
A realidade geopolítica, no entanto, era mais complexa. A guerra comercial entre EUA e China estava no auge. O 5G era a tecnologia mais estratégica da próxima década — e a Huawei estava liderando sua implantação globalmente. Para Washington, deixar uma empresa chinesa dominar a infraestrutura de telecomunicações do mundo era simplesmente inaceitável.
| O banimento foi além dos smartphones. Países aliados dos EUA — Austrália, Japão, Reino Unido e outros — foram pressionados a excluir a Huawei de suas redes 5G. Algumas partes da Europa cederam à pressão. Outras continuaram trabalhando com a empresa chinesa. O caso se tornou um dos episódios mais dramáticos da Guerra Fria Tecnológica do século XXI. |
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A resposta da Huawei: construir o próprio futuro

HarmonyOS: nascido da necessidade
O que fazer quando você perde acesso ao sistema operacional mais usado do mundo? Cria o seu próprio.
Em agosto de 2019 — apenas três meses após o banimento —, a Huawei apresentou ao mundo o HarmonyOS (conhecido na China como HongmengOS). O sistema havia sido desenvolvido internamente desde pelo menos 2012 — a empresa visionária havia antecipado que poderia precisar de uma alternativa ao Android um dia. Agora esse dia havia chegado.
As primeiras versões do HarmonyOS ainda mantinham compatibilidade parcial com aplicativos Android, funcionando como uma ponte durante a transição. Mas o plano de longo prazo era claro: criar um ecossistema completamente independente — para smartphones, tablets, TVs, computadores, relógios inteligentes e todos os dispositivos conectados.
O período dos chips de 4G — sobrevivendo às restrições
O problema mais difícil não era o software — era o hardware. Sem acesso à TSMC (que usa tecnologia americana em seus processos de fabricação), a Huawei ficou sem chips de última geração. A empresa foi forçada a lançar os modelos P50, Mate 50 e P60 com processadores 4G da Qualcomm — um passo atrás técnico significativo em relação à concorrência.
As vendas de smartphones despencaram. Em 2020, a Huawei havia ultrapassado a Samsung globalmente por um breve período. Em 2021, havia caído para fora do top 5 mundial. Era a queda mais abrupta de uma empresa líder que o setor havia visto.
2023: a reviravolta com o Mate 60 Pro

Em agosto de 2023, a Huawei causou outro choque global: lançou silenciosamente o Mate 60 Pro — equipado com o chip Kirin 9000s, desenvolvido internamente e fabricado pela SMIC (a maior fundição de chips da China) usando tecnologia de 7 nanômetros. Sem anúncio grandioso, sem evento de imprensa. O aparelho simplesmente apareceu nas lojas.
O mundo ficou confuso. Como a Huawei havia conseguido produzir um chip 5G avançado sem acesso à TSMC e à maquinaria da ASML (empresa holandesa que fabrica as máquinas de litografia mais avançadas, também sob pressão americana para não vender à China)?
Analistas, governos e jornalistas passaram meses tentando entender. A conclusão foi que a China havia desenvolvido capacidade interna de fabricação de semicondutores — não no nível da TSMC, mas suficiente para manter a Huawei competitiva.
| O impacto do Mate 60 Pro na China |
| O lançamento foi um fenômeno cultural além do tecnológico. Filas enormes nas lojas. Cobertura de mídia 24 horas. Sentimento de orgulho nacional. A participação da Huawei no segmento premium (acima de US$ 600) na China saltou de 11% para 33% em apenas um ano. No mesmo período, a fatia da Apple no mesmo segmento caiu de 72% para 52%. Era a Huawei sinalizando ao mundo que estava de volta. |
HarmonyOS NEXT: o terceiro sistema operacional do mundo
Em 2024, com o lançamento do Mate 70, a Huawei deu o passo mais ousado desde o banimento: o HarmonyOS NEXT — uma versão completamente nova do sistema, sem nenhuma linha de código do Android. Diferente das versões anteriores, o HarmonyOS NEXT não suporta aplicativos Android nativamente. É um sistema operacional 100% original, com seus próprios aplicativos, sua própria loja e seu próprio ecossistema.
Para que isso funcionasse, a Huawei precisava convencer dezenas de milhares de desenvolvedores a criar versões nativas de seus aplicativos para o HarmonyOS. E conseguiu — pelo menos no mercado chinês. Os principais aplicativos do dia a dia dos usuários na China estão disponíveis, e o ecossistema cresce a cada mês.
O presidente da Huawei Consumer, Eric Xu, declarou: “O HarmonyOS será o terceiro sistema operacional móvel do mundo, além do iOS e do Android.” Não é mais uma promessa vaga — é um plano em execução.
Em 2025, a Huawei lançou o Harmony PC — seu primeiro computador pessoal rodando HarmonyOS nativamente, equipado com o chip Kirin X90. A empresa está construindo um ecossistema completo, do smartphone ao laptop, independente de qualquer tecnologia americana.
O outro lado da Huawei: a gigante invisível do 5G
Enquanto muita gente conhece a Huawei pelos smartphones, o maior negócio da empresa sempre foi — e continua sendo — a infraestrutura de telecomunicações. Roteadores, switches, antenas, sistemas de rede, tecnologias de backhaul. Os equipamentos invisíveis que fazem a internet funcionar.
A Huawei é, hoje, o maior fornecedor de equipamentos de telecomunicações do mundo — responsável por uma fatia significativa das redes de internet e telefonia em dezenas de países. Isso inclui partes substanciais da infraestrutura de África, Ásia, América Latina e partes da Europa.
No 5G, a empresa registrou mais patentes essenciais do que qualquer outro player global. Suas antenas e estações base são consideradas tecnicamente superiores às da concorrência por muitos especialistas — o que explica por que, mesmo com toda a pressão política dos EUA, muitos países continuaram usando equipamentos Huawei em suas redes.
Para além do 5G, a empresa também investiu em energia solar, computação em nuvem e soluções para cidades inteligentes — diversificando para além dos dispositivos de consumo e se posicionando como uma empresa de infraestrutura digital de escopo global.
A linha do tempo completa da Huawei
| 1987 | Fundação por Ren Zhengfei Shenzhen, China. Capital inicial de US$ 5.600. Foco em revenda de centrais telefônicas PBX. |
| 1990 | Início do P&D próprio 500 funcionários trabalhando em pesquisa e desenvolvimento — proporção incomum para o tamanho da empresa. |
| 1993 | Primeiro switch digital próprio Lançamento do C&C08: primeiro produto de telecomunicações desenvolvido internamente pela Huawei. |
| 1997 | Visita histórica aos EUA Ren Zhengfei visita IBM e Bell Labs. Contrata a IBM para reformular toda a gestão da Huawei. |
| 2005 | British Telecom escolhe a Huawei Primeiro grande contrato europeu. Abre as portas do mercado desenvolvido para a empresa chinesa. |
| 2009 | Primeiro smartphone Entrada no mercado de consumo. Em 2010, o Ideos torna-se o Android mais barato do mundo. |
| 2012 | Início secreto do HarmonyOS A Huawei começa a desenvolver internamente um sistema operacional próprio, prevendo possíveis restrições futuras. |
| 2016 | Parceria com a Leica P9 lançado com câmera dupla Leica. Início da era de fotografia premium nos smartphones Huawei. |
| 2018 | P20 Pro e topo do DxOMark Câmera tripla Leica. Considerado o melhor smartphone em câmera do mundo pelo DxOMark. Superou a Apple em vendas globais. |
| 2019 | P30 Pro e o banimento P30 Pro com zoom de 50x bate recorde no DxOMark. Em maio, os EUA colocam a Huawei na Entity List. HarmonyOS anunciado em agosto. |
| 2020 | Queda e adaptação Mate 40 com Kirin 9000 — último chip avançado antes das sanções. Vendas de smartphones caem drasticamente. |
| 2021 | HarmonyOS para usuários Lançamento do HarmonyOS 2 para smartphones. Mais de 100 milhões de dispositivos atualizados em poucos meses. |
| 2023 | Mate 60 Pro — a volta por cima Chip Kirin 9000s (7nm), suporte 5G, fabricado 100% na China. Fenômeno de vendas. Choque nos mercados globais. |
| 2024 | HarmonyOS NEXT — independência total Primeiro sistema operacional 100% independente do Android. Lançado com o Mate 70. Ruptura definitiva com o ecossistema Google. |
| 2025 | Harmony PC e expansão global Primeiro computador com HarmonyOS nativo. Retomada da expansão internacional. Chips Kirin X90 em 5nm. |
O legado da Huawei: o que essa história nos ensina?
A história da Huawei é, em muitos aspectos, mais do que a história de uma empresa. É uma história sobre geopolítica, sobre soberania tecnológica, sobre o que acontece quando uma empresa do chamado “mundo em desenvolvimento” ameaça a dominância das potências ocidentais em setores estratégicos.
Mas também é uma história sobre resiliência e visão de longo prazo. Uma empresa que investiu décadas em P&D, que nunca cortou o orçamento de pesquisa mesmo em tempos difíceis — chegando a investir mais de 20% do faturamento anual em inovação —, não se desfaz com um decreto presidencial.
O HarmonyOS é o produto mais dramático dessa determinação. Construído durante anos de desenvolvimento silencioso, lançado às pressas quando necessário, aprimorado sob pressão constante — e hoje, um sistema operacional real, com dezenas de milhões de usuários ativos.
A parceria com a Leica que redefiniu a fotografia mobile. O VOOC que inspirou o carregamento rápido moderno. As patentes de 5G que ninguém pode ignorar. A presença em 170 países que nenhuma empresa ocidental rivalizou na infraestrutura de telecomunicações do mundo em desenvolvimento.
| A Huawei não venceu a batalha. A guerra ainda está em andamento. Mas a empresa que muitos deram como morta em 2019 está, em 2026, construindo chips próprios, rodando seu próprio sistema operacional e planejando reconquistar mercados globais. Poucas histórias empresariais do século XXI são tão dramáticas — ou tão instrutivas. |
