A História da Motorola: De uma garagem em Chicago ao celular que você carrega no bolso hoje

A História da Motorola
motor” (de motorcar, automóvel em inglês) com “ola” (sufixo sonoro popular na época, usado em marcas como Victrola e Pianola). Nasceu assim o nome Motorola — que significava, essencialmente, “música em movimento”

A empresa que inventou o celular — mas quase não sobreviveu ao smartphone

Há empresas que inventam tecnologias. Há empresas que sobrevivem durante décadas. E há empresas que fazem as duas coisas, passam por crises que pareciam o fim, e ainda assim conseguem se reinventar o suficiente para continuar relevantes quase 100 anos depois.

A Motorola é uma dessas raras empresas. Ela começou como um pequeno negócio de reparos de baterias em Chicago, nos anos 1920. Inventou o rádio de carro, o walkie-talkie, equipamentos militares que salvaram vidas na Segunda Guerra Mundial, o rádio que transmitiu as primeiras palavras da Lua para a Terra e, finalmente, o primeiro celular portátil da história.

Mas a Motorola também é a história de uma empresa que quase foi destruída por uma única invenção que não era sua: o iPhone. Depois de dominar o mercado de celulares por décadas, foi vendida para o Google, depois para a Lenovo, e precisou reinventar tudo. O resultado desse processo é a marca que hoje, em 2026, é a segunda maior em vendas no Brasil — com mais de 200 milhões de Moto G vendidos no mundo.

Esta é a história da Motorola. Um conto americano de ambição, inovação, queda e recomeço.

A Motorola foi fundada em 1928, tem 98 anos de história e ainda está entre as 5 marcas de smartphones mais vendidas no Brasil. Poucas empresas de tecnologia sobrevivem por tanto tempo — e menos ainda conseguem se reinventar depois de quase ir à falência.

1928: dois irmãos, US$ 5 e uma ideia simples

A Galvin Manufacturing Corporation

Tudo começa no dia 25 de setembro de 1928, em Chicago, Illinois. Os irmãos Paul Vincent Galvin e Joseph Galvin acabam de comprar o maquinário e o projeto de uma empresa falida — a Stewart Battery Company — que fabricava um dispositivo chamado eliminador de bateria. Era um conversor que permitia que rádios que funcionavam a pilha fossem usados com a tomada elétrica doméstica.

Com o dinheiro da compra, os irmãos fundaram a Galvin Manufacturing Corporation com apenas cinco funcionários. O escritório era pequeno, o capital era mínimo, e a tecnologia que comercializavam já estava prestes a se tornar obsoleta — os rádios a pilha estavam sendo substituídos por rádios elétricos mais modernos.

Qualquer empresa ordinária teria afundado nessa situação. Paul Galvin não era ordinário.

O rádio de carro que criou a Motorola

Em vez de desistir, Paul Galvin percebeu uma oportunidade que outros ignoravam: as pessoas estavam comprando automóveis em número crescente nos Estados Unidos, mas não havia um jeito fácil de ouvir rádio dentro do carro. Os aparelhos existentes eram caros, grandes demais e difíceis de instalar.

Em 1930, dois anos após a fundação da empresa, Paul Galvin lançou o primeiro rádio automotivo acessível do mercado americano. Era prático, podia ser instalado na maioria dos carros e custava menos que os concorrentes. O aparelho foi um sucesso imediato — e Paul Galvin quis dar a ele um nome que transmitisse a ideia de música em movimento.

A solução foi criar uma palavra nova: juntou “motor” (de motorcar, automóvel em inglês) com “ola” (sufixo sonoro popular na época, usado em marcas como Victrola e Pianola). Nasceu assim o nome Motorola — que significava, essencialmente, “música em movimento”. O nome era tão bom que, em 1947, virou o nome oficial da empresa.

Curiosidade: Paul Galvin era tão apaixonado pelo produto que, conta a lenda, dirigiu até Chicago com um rádio instalado no seu próprio carro para apresentá-lo pessoalmente a investidores. Ligou o rádio na frente deles como demonstração. O investimento que obteve financiou a expansão da empresa.
Rádio automotivo Motorola 5T71 representando os primeiros produtos da marca em tecnologia de comunicação
Primeiro rádio automotivo acessível do mercado americano. Era prático, podia ser instalado na maioria dos carros e custava menos que os concorrentes. (Imagem Ilustrativa)

1930–1940: walkie-talkies, Segunda Guerra Mundial e a ascensão global

Rádios para o mundo

Com o sucesso do rádio automotivo, a Motorola diversificou rapidamente. Na segunda metade dos anos 1930, a empresa já fabricava rádios para residências e expandia sua presença no mercado americano. O nome Motorola — inicialmente só do produto — virou sinônimo da empresa inteira.

Mas foi a chegada da Segunda Guerra Mundial que transformou completamente o porte da Motorola. O exército americano precisava de equipamentos de comunicação portáteis e confiáveis para operações no campo de batalha — e a Motorola estava pronta para fornecê-los.

O SCR-300: o walkie-talkie que mudou a guerra

Em 1940, a Motorola desenvolveu o SCR-300 — o primeiro walkie-talkie portátil da história. Era um rádio bidirecional que os soldados podiam carregar nas costas e usar para se comunicar em batalha sem a necessidade de fios ou centrais de comunicação fixas. Foi uma revolução para a logística militar.

O dispositivo pesava cerca de 16 kg — não era exatamente um acessório de bolso —, mas para os padrões da época era extraordinariamente compacto. Os soldados aliados podiam, pela primeira vez, coordenar movimentos em tempo real sem depender de mensageiros ou sistemas de cabo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Motorola foi um dos principais fornecedores de equipamentos de comunicação para o Exército americano. A empresa se transformou: saiu de uma fabricante de rádios de carro para uma das empresas mais estratégicas dos Estados Unidos. Com o fim da guerra, essa infraestrutura tecnológica e industrial seria a base para as próximas décadas de inovação.

1950–1969: a era da televisão e a chegada à Lua

Transistores e televisores

Nos anos 1950, o mundo eletrônico passou por uma revolução silenciosa: a substituição das válvulas eletrônicas pelos transistores. Eram menores, mais baratos, mais confiáveis e consumiam menos energia. A Motorola foi das primeiras empresas a adotar a nova tecnologia em massa.

Em 1955, sob a liderança de Robert Galvin — filho do fundador Paul, que assumiu a empresa após a morte do pai em 1959 —, a Motorola lançou o primeiro rádio comercial com transistores do mercado americano. Era compacto, portátil e podia ser carregado para qualquer lugar. A ideia de música portátil, que décadas depois se tornaria o Walkman e o iPod, começava a ganhar forma.

Em 1967, a empresa lançou o Quasar — o primeiro televisor totalmente transistorizado das Américas. Era um aparelho moderno, elegante e confiável para a época. A divisão de televisores da Motorola seria vendida anos depois para uma empresa japonesa, mas o impacto na cultura americana foi enorme.

1969: a mensagem da Lua

Astronautas na Lua fincando bandeira com logo da Motorola simbolizando transmissão histórica do pouso lunar
Quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin pousaram na Lua e transmitiram as primeiras imagens e palavras ao mundo, o dispositivo responsável pela transmissão era um transponder fabricado pela Motorola. (Imagem Ilustrativa)

O momento mais icônico da história da Motorola não aconteceu num escritório ou num laboratório. Aconteceu a 384 mil quilômetros de distância da Terra, no dia 20 de julho de 1969.

Quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin pousaram na Lua e transmitiram as primeiras imagens e palavras ao mundo, o dispositivo responsável pela transmissão era um transponder fabricado pela Motorola — instalado no módulo lunar Apollo 11. O equipamento retransmitiu sinais de televisão, telemetria e comunicações de voz entre a Lua e os centros de controle na Terra.

Mais de 600 milhões de pessoas assistiram à transmissão ao vivo. Era, literalmente, a maior audiência da história humana até aquele momento. E o equipamento que tornou isso possível era Motorola.

A transmissão da Lua — julho de 1969
O transponder Motorola a bordo do Apollo 11 foi responsável por transmitir as palavras de Neil Armstrong — “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade” — para mais de 600 milhões de espectadores ao redor do mundo. Era a prova definitiva de que a Motorola não era mais apenas uma empresa de rádios: era uma empresa de comunicação para a humanidade.

1973: a ligação que mudou o mundo — o nascimento do celular

Martin Cooper e a corrida pelo telefone portátil

No início dos anos 1970, havia uma corrida silenciosa e feroz nos bastidores da indústria americana de telecomunicações: quem seria a primeira empresa a criar um telefone verdadeiramente portátil? De um lado, a Bell Labs — laboratório de pesquisa ligado à AT&T, a maior empresa de telefonia do mundo. Do outro, a Motorola.

O engenheiro responsável pelo projeto na Motorola era Martin Cooper — um homem que acreditava apaixonadamente que o telefone do futuro não seria fixo numa parede ou preso a um veículo, mas sim algo que uma pessoa pudesse carregar consigo. “A comunicação deve ser para as pessoas, não para os lugares”, ele dizia.

Depois de anos de desenvolvimento, chegou o momento da demonstração. No dia 3 de abril de 1973, numa movimentada calçada da Sexta Avenida de Nova York, Martin Cooper sacou do bolso um protótipo enorme — pesava cerca de 1 kg e media 25 centímetros de altura — e discou um número.

Do outro lado da linha estava Joel Engel, chefe de pesquisa da Bell Labs — o rival direto da Motorola na corrida pelo celular. Cooper ligou para anunciar, com um certo humor, que estava falando por um telefone celular portátil enquanto caminhava pela rua. Era uma provocação elegante — e uma demonstração histórica.

Do protótipo ao produto: dez anos de espera

A ligação de 1973 foi o protótipo. O produto comercial demorou mais uma década para chegar. Em 1983, a Motorola lançou o DynaTAC 8000X — o primeiro celular comercialmente disponível da história. Era grande, pesado e caro: custava US$ 3.995 (o equivalente a mais de US$ 12.000 em valores atuais). A bateria durava apenas 30 minutos de conversa e demorava 10 horas para carregar completamente.

Mas funcionava. Você podia sair andando pela rua e fazer uma ligação de qualquer lugar. Para quem havia crescido preso à parede por um fio de telefone, era como ficção científica tornada realidade. O DynaTAC apareceu em filmes icônicos dos anos 1980, como Wall Street, tornando-se símbolo de poder e modernidade.

Martin Cooper, o engenheiro que fez a primeira ligação de celular da história em 1973, ainda está vivo em 2026 — com mais de 95 anos — e é considerado o pai do telefone celular. Em entrevistas, ele costuma dizer que ficou surpreso ao ver as pessoas usando o celular para olhar para baixo em vez de se comunicar com o mundo ao redor.

1980–2000: da liderança absoluta ao StarTAC

A era dos celulares grandes — e o MicroTAC

Nos anos 1980, o mercado de telefonia celular crescia rapidamente, e a Motorola dominava. A empresa lançou uma série de modelos que foram tornando os celulares progressivamente menores e mais práticos. Em 1989, lançou o MicroTAC — um celular de flip que, na época, era o menor e mais leve celular do mundo.

O flip — aquele mecanismo de abrir e fechar — tornou-se uma marca registrada da Motorola. Enquanto a maioria dos concorrentes fazia tijolos retangulares, a Motorola apostava em design funcional e elegante. O MicroTAC pesava 357 gramas — uma fração do DynaTAC original — e cabia num bolso de camisa. Era o celular que todo executivo queria ter.

1996: o StarTAC — o celular que virou ícone cultural

Em 1996, a Motorola fez algo que não tinha precedente: criou um celular que as pessoas queriam não apenas para fazer ligações, mas para mostrar para os outros. O StarTAC foi o primeiro celular verdadeiramente compacto e elegante do mercado. Com apenas 88 gramas e o formato flip icônico, ele era tão pequeno que parecia impossível para a época.

O StarTAC foi um fenômeno cultural. Apareceu em séries de televisão, nos bolsos de celebridades, nas cenas de filmes de ação. Políticos o ostentavam. Executivos o exibiam. Era o iPhone da sua época — um produto que combinava tecnologia com status social.

Com o StarTAC, a Motorola consolidou sua liderança como a empresa mais inovadora do mundo em celulares. O mundo ainda tinha muito a aprender com a empresa de Paul Galvin.

2004: o RAZR V3 — o celular mais bonito do mundo

Motorola RAZR V3 aberto em ambiente moderno com fundo sofisticado destacando seu design icônico
RAZR V3 redefiniu o que um telefone poderia ser, extraordinariamente fino para a época, corpo de alumínio escovado, teclado gravado a laser e uma elegância que nenhum celular havia alcançado antes.

Se o StarTAC foi o iPhone de 1996, o RAZR V3 foi o iPhone de 2004. Com 13 milímetros de espessura — extraordinariamente fino para a época —, corpo de alumínio escovado, teclado gravado a laser e uma elegância que nenhum celular havia alcançado antes, o RAZR V3 redefiniu o que um telefone poderia ser.

Segundo Jim Wicks, então diretor de design da Motorola, o objetivo era simples: “fazer o celular mais fino possível”. Para isso, os engenheiros precisaram resolver problemas nunca antes enfrentados — o metal da estrutura interferia na recepção do sinal, então antenas e processadores foram realocados para uma área específica do aparelho. Cada detalhe foi repensado para servir ao design.

O RAZR V3 foi lançado com um preço salgado — US$ 449 — e a expectativa era que vendesse para um público pequeno e exigente. O que aconteceu foi o oposto: tornou-se um fenômeno global. Vendeu 130 milhões de unidades ao longo de sua vida útil, entrando para o ranking dos celulares mais vendidos de todos os tempos. De 2004 a 2008, foi o celular mais vendido dos Estados Unidos.

Ganhou edições especiais em rosa, ouro e prata. Foi presente de Natal, item de colecionador, símbolo de status. A Motorola estava no topo do mundo.

RAZR V3 em números
130 milhões de unidades vendidas no mundo. Sexto celular mais vendido de todos os tempos. Quatro anos consecutivos como celular mais vendido dos EUA (2004-2008). Considerado pela PC World como um dos 50 melhores produtos portáteis dos últimos 50 anos. Ícone da cultura pop dos anos 2000.

2007–2011: o iPhone chegou — e a Motorola quase acabou

Em janeiro de 2007, Steve Jobs subiu ao palco em San Francisco e apresentou o iPhone. Não era apenas um novo celular. Era a redefinição completa do que um celular deveria ser. Uma tela sensível ao toque que ocupava quase toda a frente do aparelho. Uma internet de verdade. Um iPod integrado. Uma câmera séria.

A Motorola, naquele momento, ainda estava colhendo os louros do RAZR. Mas o RAZR era um produto de outra era. A empresa não tinha plataforma de software própria, não tinha ecossistema de aplicativos, não tinha a visão necessária para responder à revolução que o iPhone iniciou.

Entre 2007 e 2009, a Motorola perdeu US$ 4,3 bilhões. As vendas de celulares despencaram. Os investidores perderam a paciência. A empresa que havia inventado o celular estava sendo deixada para trás pela tecnologia que ela mesma criou.

Em 2011, incapaz de sustentar as perdas, a Motorola se dividiu em duas empresas independentes: a Motorola Solutions (focada em equipamentos empresariais e de segurança pública — rádios profissionais, sistemas de comunicação corporativa) e a Motorola Mobility (a divisão de celulares). Foi a divisão mais dramática da história da empresa.

A Motorola foi, literalmente, vítima do seu próprio sucesso. A cultura de design e hardware que havia criado o RAZR era avessa ao mundo do software e dos aplicativos que o iPhone inaugurou. A empresa que inventou o celular não conseguiu reinventar o que o celular deveria ser.

2011–2014: Google compra, Lenovo herda

Google paga US$ 12,5 bilhões — e não sabe o que fazer com isso

Em agosto de 2011, o Google anunciou a compra da Motorola Mobility por US$ 12,5 bilhões — uma das maiores aquisições da história da tecnologia até aquele momento. Para o mercado, a surpresa foi total. O Google era uma empresa de software e serviços. O que ela faria com um fabricante de hardware de celulares?

A resposta oficial era simples: patentes. A Motorola tinha um portfólio enorme de patentes em telefonia celular — afinal, havia inventado o negócio. Com a guerra de patentes entre Apple, Samsung, Microsoft e Google em plena escalada, ter aquelas patentes significava poder de barganha e proteção jurídica para o ecossistema Android.

Mas o Google também tinha um projeto maior: usar a Motorola para mostrar o que um celular Android deveria ser. Sob o controle do Google, nasceram os Moto X e o primeiro Moto G — aparelhos que voltariam a colocar a Motorola no mapa. Em especial o Moto G, lançado em 2013, seria o produto que salvaria a marca.

Novembro de 2013: o Moto G que mudou tudo

Em 13 de novembro de 2013, num evento em São Paulo — não em Nova York, não em São Francisco, mas em São Paulo —, o CEO da Motorola lançou o Moto G. O aparelho tinha Android puro, tela de 4,5″ HD, processador Snapdragon 400 quad-core e um preço que ninguém esperava: R$ 649.

O conceito de “intermediário” como categoria de smartphone não existia antes do Moto G. Ou você comprava um topo de linha caro, ou comprava um barato que mal funcionava. O Moto G foi o primeiro aparelho a provar que era possível ter um smartphone que fazia tudo bem — redes sociais, vídeos, aplicativos, câmera — sem custar uma fortuna.

Em seis meses, o Moto G tornou-se o smartphone mais vendido da Motorola de todos os tempos. E no Brasil? Criou uma geração inteira de usuários fiéis à marca.

2014: Google vende para a Lenovo por US$ 2,91 bilhões

Menos de três anos após pagar US$ 12,5 bilhões pela Motorola, o Google a vendeu para a Lenovo — a maior fabricante de computadores do mundo — por apenas US$ 2,91 bilhões. Uma perda financeira enorme, mas o Google havia conseguido o que realmente queria: as patentes, que permaneceram com a empresa americana.

Para a Lenovo, a compra foi estratégica. A empresa chinesa dominava o mercado de notebooks e PCs, mas tinha pouca presença global em smartphones. Com a Motorola, ganhou de uma vez só uma marca reconhecida mundialmente, uma forte presença na América Latina e nos Estados Unidos, e o legado de uma das empresas mais inovadoras da história da tecnologia.

2014–2026: o renascimento — do Moto G ao Razr dobrável

O Moto G como motor de crescimento

Linha do tempo dos smartphones Motorola Moto G de 2013 a 2026 mostrando evolução de design, câmeras e tecnologia
Moto G: o celular que salvou a marca
Lançado em São Paulo em novembro de 2013. Inventa o conceito de “intermediário”. Torna-se o mais vendido da empresa em seis meses.

Sob a Lenovo, a Motorola manteve sua estratégia mais bem-sucedida: o Moto G. A linha continuou crescendo ano a ano, com novos modelos que iteravam sobre a fórmula original — bom desempenho, preço acessível, Android sem bloatware excessivo (programas pré-instalados, geralmente indesejados, que ocupam espaço de armazenamento e RAM, prejudicando o desempenho e a bateria do dispositivo).

No Brasil, o sucesso foi extraordinário. Em menos de uma década após o lançamento do primeiro Moto G, a Motorola tornou-se a segunda marca mais vendida de smartphones do país, atrás apenas da Samsung. Na Argentina, chegou ao primeiro lugar. Em 2023, a empresa comemorou 10 anos do Moto G com a marca de 200 milhões de unidades vendidas em todo o mundo.

Se a linha Moto G mostrou que é possível evoluir sem encarecer, a pergunta é: quais são hoje os celulares de entrada que realmente entregam mais pelo que custam?
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O retorno do RAZR — agora dobrável

Em 2019, a Motorola fez algo que parecia impossível: ressuscitou o RAZR. Mas não como um flip simples — como um smartphone dobrável. Com uma tela OLED que dobra ao meio, o novo RAZR preservava o DNA do original — flip elegante, design premium — mas com tela de smartphone moderno por dentro. Era a mesma ideia de sempre: fazer o celular mais bonito do mercado.

O RAZR dobrável não foi um sucesso instantâneo — o preço inicial era alto e a tecnologia tinha limitações. Mas ao longo dos anos, a linha foi melhorada. O Razr 60 Ultra, lançado em 2025, é um dos smartphones dobráveis mais bem avaliados do mercado, com câmeras de alta qualidade e acabamento premium que rivaliza com o Galaxy Z Flip da Samsung.

A Motorola no Brasil de 2026

Em 2026, a Motorola é uma das marcas mais sólidas do mercado brasileiro de smartphones. Fabrica parte de seus celulares em Jaguariúna, interior de São Paulo, numa das poucas fábricas de smartphones em operação no Brasil. A linha Moto G, com mais de 50 modelos lançados ao longo de dez gerações, continua sendo a espinha dorsal da empresa — do G06 básico ao G86 mais avançado.

A linha Edge compete no segmento intermediário premium, e a linha RAZR posiciona a Motorola no mercado de dobráveis. São três pilares muito distintos para uma empresa que, em 2009, parecia terminal.

A linha do tempo da Motorola: de 1928 a 2026

1928Fundação da Galvin Manufacturing
Paul e Joseph Galvin fundam a empresa em Chicago com 5 funcionários e um produto: o eliminador de bateria.
1930Primeiro rádio automotivo — nasce o nome Motorola
Paul Galvin une “motor” + “ola” para criar o nome do rádio de carro. Primeiro grande sucesso comercial.
1940SCR-300: o walkie-talkie da Segunda Guerra
Motorola fornece o primeiro walkie-talkie portátil ao Exército americano. Empresa vira fornecedora estratégica do governo.
1947A empresa passa a se chamar Motorola Inc.
O nome do produto se torna o nome da empresa — prova do poder da marca criada por Paul Galvin.
1955Primeiro rádio transistorizado comercialMotorola adota transistores, tornando os produtos menores, mais baratos e mais confiáveis.
1969Transmissão da Lua — Apollo 11
Equipamentos Motorola transmitem as primeiras palavras e imagens da Lua para 600 milhões de pessoas na Terra.
1973Primeira ligação de celular da história
Martin Cooper faz a primeira ligação com um protótipo do DynaTAC em Nova York. Rivaliza com a Bell Labs na corrida pelo celular portátil.
1983DynaTAC 8000X: primeiro celular comercial
Lançamento do primeiro celular aprovado para venda ao público. Custava US$ 3.995 e pesava 1 kg.
1989MicroTAC: o menor celular do mundo
Motorola lança o celular flip mais compacto do mundo — 357 gramas e design que cabia no bolso.
1996StarTAC: o celular ícone cultural
Primeiro celular verdadeiramente fashion. Pesava 88 gramas e tornou-se símbolo de status global.
2004RAZR V3: 130 milhões de unidades vendidas
O celular mais bonito do mundo. Alumínio escovado, 13 mm de espessura, teclado gravado a laser. Sexto mais vendido da história.
2007O iPhone chega — e a Motorola entra em crise
Sem resposta ao iPhone, a Motorola perde US$ 4,3 bilhões entre 2007 e 2009. Crise existencial da empresa.
2011Divisão em duas empresas + venda para o Google
Motorola Solutions (corporativo) e Motorola Mobility (celulares) tornam-se empresas independentes. Google compra a Mobility por US$ 12,5 bilhões.
2013Moto G: o celular que salvou a marca
Lançado em São Paulo em novembro de 2013. Inventa o conceito de “intermediário”. Torna-se o mais vendido da empresa em seis meses.
2014Lenovo compra a Motorola por US$ 2,91 bilhões
Google vende a divisão de celulares para a Lenovo, mantendo as patentes. Início de nova fase.
2019RAZR dobrável ressurge
Novo RAZR com tela OLED dobrável. O DNA do original (flip elegante, design premium) em corpo de smartphone moderno.
2023200 milhões de Moto G vendidos
A linha Moto G completa 10 anos com 200 milhões de unidades vendidas globalmente.
2025Razr 60 Ultra e Moto G86
Motorola consolida presença no premium com o dobrável Razr 60 Ultra e expande a linha G com novos modelos.
2026Segunda marca mais vendida no Brasil
Com fábrica em Jaguariúna (SP), a Motorola é a segunda marca em vendas no Brasil, atrás apenas da Samsung.

O que a história da Motorola nos ensina

A história da Motorola é a história de uma empresa que esteve no lugar certo, na hora certa, múltiplas vezes ao longo de quase 100 anos. E que também, por uma vez, errou o timing de forma catastrófica — e ainda assim sobreviveu.

Paul Galvin viu o rádio de carro quando ninguém mais via. A Motorola viu o walkie-talkie antes da guerra precisar dele. Viu o celular portátil antes de qualquer outra empresa acreditar que fosse possível. E, na sua maior falha, não viu o iPhone chegando — ou viu, mas não soube o que fazer com essa informação.

Mas a Motorola também é uma história sobre a importância de um único produto no momento certo. O Moto G, lançado em 2013, foi esse produto. Numa época em que o mercado de smartphones parecia dividido entre os caríssimos e os inutilizáveis, o Moto G mostrou que havia uma terceira via. E o Brasil, país com uma das maiores populações de smartphone do mundo, adotou essa terceira via com entusiasmo.

A Motorola de 2026 não é a mesma empresa de 1928. Passou por mãos americanas, depois do Google, depois da Lenovo. Mas o DNA sobreviveu: a obsessão com design funcional, o compromisso com comunicação acessível e aquela vontade de fazer algo que ainda não existe. De Paul Galvin ao RAZR dobrável, a linha é direta.

Da garagem de Chicago ao celular no seu bolso: em quase um século, a Motorola inventou o rádio de carro, comunicou soldados em guerra, transmitiu a voz da Lua para a Terra, criou o primeiro celular da história e, quando quase morreu, reinventou o conceito de smartphone acessível. Poucas empresas de qualquer setor têm uma história assim.
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