
Era uma vez, um celular que não deveria existir
Em 2018, quando os celulares bons e bonitos custavam cada vez mais caro, uma equipe pequena dentro da Xiaomi — uma das maiores fabricantes de smartphones do mundo — teve uma ideia que parecia simples demais para funcionar: e se a gente fizesse um celular com o processador mais potente do mercado e vendesse pelo preço de um celular comum?
Parecia arriscado. Parecia ingênuo. Mas funcionou — e como funcionou.
O resultado foi o Pocophone F1, lançado em agosto de 2018 na Índia. Em menos de seis meses, o aparelho vendeu mais de 700 mil unidades. A imprensa de tecnologia do mundo inteiro ficou boquiaberta. Jornalistas e youtubers passaram a chamá-lo de “assassino de flagships” — um celular que matava os caros. E assim começou a história da POCO.

Antes da POCO: conheça a Xiaomi
Para entender a POCO, é preciso entender quem a criou. A Xiaomi foi fundada em 10 de abril de 2010 pelo engenheiro chinês Lei Jun em Pequim, na China. O nome da empresa, em chinês, significa literalmente “pequeno arroz” — uma referência singela e curiosa para uma empresa que viria a se tornar gigante.
A proposta da Xiaomi desde o começo foi clara: fazer celulares tão bons quanto os da Samsung e da Apple, mas vendê-los pela metade do preço ou menos. Para conseguir isso, a empresa cortou ao máximo os custos com lojas físicas e publicidade, vendendo seus produtos principalmente pela internet.
A estratégia funcionou. Em poucos anos, a Xiaomi se tornou a marca de smartphones mais vendida na Índia e uma das mais populares na China e no mundo. Para atender públicos diferentes, a empresa criou submarcas: a Redmi para celulares mais acessíveis, a Mi para os modelos premium — e, em 2018, nasceu a POCO para preencher um espaço que ninguém tinha explorado direito: celulares poderosos a preço justo.
| Curiosidade: o nome “POCO” não é por acaso. Em espanhol e italiano, “poco” significa “um pouco”. A equipe que criou a marca escolheu esse nome justamente para representar a filosofia da empresa: entregar um pouco mais de performance por um pouco menos de dinheiro. |
2018: o nascimento de uma revolução
A equipe dos sonhos
A POCO nasceu como um projeto especial dentro da Xiaomi — uma equipe pequena, com muita liberdade criativa e um objetivo ambicioso. O líder dessa equipe era Jai Mani, um ex-funcionário do Google que tinha trabalhado na filial indiana da Xiaomi por cinco anos. Era um time enxuto, apaixonado por tecnologia e determinado a provar que era possível fazer algo diferente.
A ideia central era simples: pegar os componentes mais potentes do mercado — o processador mais rápido da Qualcomm, o Snapdragon 845 — e colocá-los num celular sem inflar o preço com recursos supérfluos. Câmera excelente? Sim. Design caro demais? Não. Bateria grande? Sim. Tela com tecnologia experimental? Não. Era sobre foco e honestidade.
O dia em que tudo mudou: 22 de agosto de 2018
No dia 22 de agosto de 2018, em Nova Déli, capital da Índia, a POCO apresentou ao mundo o Pocophone F1. O evento foi transmitido ao vivo pela internet e acompanhado por fãs de tecnologia de todo o mundo. Quando o preço foi revelado, houve uma comoção genuína: cerca de US$ 300 — menos de 300 dólares — por um celular com o processador mais rápido do planeta.
Para comparar: os celulares que usavam o mesmo chip na época custavam o dobro ou o triplo. O Snapdragon 845 estava em celulares como o Samsung Galaxy S9 e o OnePlus 6, que custavam entre 600 e 800 dólares. A POCO estava vendendo a mesma potência pela metade.
Além do processador, o Pocophone F1 trazia uma bateria de 4.000 mAh — enorme para a época —, sistema de resfriamento líquido para evitar o superaquecimento durante jogos, e desbloqueio facial por infravermelho, uma tecnologia que geralmente aparecia apenas nos celulares mais caros. O mundo da tecnologia levou um choque.
| Em apenas três meses após o lançamento, o Pocophone F1 vendeu 700 mil unidades. A revista especializada MKBHD, uma das mais respeitadas do mundo em tecnologia, colocou o celular entre os finalistas do melhor celular do ano. O DxOMark — laboratório que avalia câmeras — deu ao aparelho uma nota de 91, colocando-o entre o iPhone 8 e o Google Pixel. Não estava mal para um “celular barato”. |
2019: silêncio, incerteza e uma saída marcante
O sucesso do Pocophone F1 foi tão grande que o mundo passou a esperar ansiosa e impaciente pelo Pocophone F2. Mas 2019 passou sem novidades. A Xiaomi ficou em silêncio sobre o futuro da marca, e o mercado começou a especular: a POCO tinha acabado?
Para piorar a sensação de incerteza, no segundo semestre de 2019, Jai Mani — o homem que tinha idealizado e lançado o Pocophone F1 — anunciou sua saída da empresa. Em uma carta emocionante publicada nas redes sociais, ele agradeceu à equipe e falou sobre novos projetos. Era o fim de um ciclo.
Sem seu criador original e sem novos lançamentos, a POCO parecia estar chegando ao fim antes mesmo de crescer. Mas o que estava acontecendo nos bastidores era outra coisa: a Xiaomi estava decidindo o futuro da marca — e a decisão que viria seria ainda mais ousada do que qualquer celular.
2020: a grande virada — a POCO vira empresa independente
Primeiro, a Índia
Em 17 de janeiro de 2020, a Xiaomi fez um anúncio surpreendente: a POCO India se tornaria uma empresa independente. Não era mais uma linha de produtos ou uma submarca — era uma empresa separada, com sua própria estratégia, seus próprios lançamentos e sua própria identidade.
Manu Kumar Jain, vice-presidente da Xiaomi na Índia, explicou o motivo: a POCO tinha crescido tanto que precisava de espaço para tomar suas próprias decisões. Em suas palavras, a marca havia saído de uma submarca para criar sua própria identidade em um tempo muito curto. Chegara a hora de voar sozinha.
Depois, o mundo
Dez meses depois, em 24 de novembro de 2020, foi a vez da POCO Global seguir o mesmo caminho. Com uma mensagem no Twitter — “POCO Brand is going independent!” (A marca POCO está se tornando independente!) — a empresa comunicou oficialmente ao mundo que estava abrindo suas próprias asas.
No comunicado, a POCO revelou alguns números impressionantes: a marca já havia entrado em mais de 35 mercados ao redor do mundo. O Pocophone F1, sozinho, tinha chegado a 2,2 milhões de unidades vendidas. E ao total, mais de 6 milhões de celulares POCO tinham chegado às mãos de consumidores globais — tudo isso com um portfólio pequeno.

| A POCO também anunciou, na mesma época, o lançamento do Poco M3 — seu primeiro celular depois da independência. Era o símbolo de um recomeço: a marca agora entrava no segmento mais popular de todos, o de entrada, com um celular barato, bonito e com bateria enorme. A mensagem era clara: a POCO não queria ser só para quem gasta mais. Queria estar no bolso de todo mundo. |
As famílias POCO: um celular para cada tipo de pessoa

Com sua independência, a POCO organizou seus produtos em quatro linhas distintas — como se fossem famílias de celulares, cada uma com uma personalidade própria. Entender essas linhas é a chave para entender o que a POCO representa hoje.
Linha F: a ponta de lança
A série F é onde a POCO coloca seu melhor. São os celulares mais rápidos, com os processadores mais avançados e recursos que normalmente só aparecem nos flagships de marcas como Samsung e Apple. Mas com uma diferença fundamental: o preço é muito mais acessível.
O Pocophone F1 foi o início dessa tradição, e ao longo dos anos ela continuou com modelos como o Poco F2 Pro (2020), Poco F3 (2021), Poco F4 (2022), Poco F5 (2023) e assim por diante. Em 2025, a marca lançou o Poco F7 Pro e o F7 Ultra — e no final desse mesmo ano, o Poco F8 Pro e o F8 Ultra, com os chips mais poderosos do planeta.
Linha X: o equilíbrio perfeito
A série X nasceu para quem quer um celular muito bom, mas não precisa do melhor do melhor. São intermediários premium — aqueles que ficam um passo abaixo dos tops de linha em processamento, mas que compensam com câmeras melhores, telas maiores e baterias mais generosas.
Modelos como o Poco X3 NFC (2020) foram verdadeiros fenômenos de vendas. O X3 trazia uma tela de 120 Hz — rara naquela categoria de preço — e uma bateria robusta. Era exatamente o que a POCO sempre prometeu: mais do que você espera pelo preço que você paga.
Linha M: para quem precisa de um celular confiável
A série M é a linha popular da POCO — celulares acessíveis, com boas baterias e desempenho suficiente para o dia a dia. Não são os mais rápidos do mundo, mas fazem muito bem o que precisam fazer: ligar, mandar mensagem, navegar nas redes sociais e durar o dia inteiro.
Linha C: a porta de entrada
A linha C é a mais econômica da família. São celulares simples, com preços baixos, pensados para quem está comprando seu primeiro smartphone ou quer um aparelho reserva. Mesmo aqui, a POCO mantém sua promessa de entregar valor — geralmente mais armazenamento ou bateria do que a concorrência no mesmo preço.
De 2020 a 2025: expansão, polêmicas e conquistas

A polêmica dos Redmis renomeados
Depois de se tornar independente, a POCO enfrentou uma crítica que perseguiu a marca por alguns anos: a acusação de que muitos de seus celulares eram apenas aparelhos Redmi com outro nome. E havia fundamento na crítica.
O Poco F2 Pro, por exemplo, era praticamente idêntico ao Redmi K30 Pro vendido na China. O Poco F3 era quase igual ao Redmi K40. Na prática, a Xiaomi usava a POCO como uma forma de lançar seus celulares chineses para o mercado global — especialmente em países onde a linha Redmi K não era vendida, como no Brasil.
A resposta da POCO foi reconhecer a situação e prometer mais produtos originais com o tempo. Aos poucos, a marca foi diferenciando mais seus lançamentos, com designs próprios, funcionalidades exclusivas e identidade visual mais forte.
O crescimento nos mercados globais
Apesar das críticas, a POCO cresceu muito entre 2020 e 2025. A marca conquistou mercados na Europa — especialmente Espanha e Itália, onde a palavra “poco” tem significado na língua local —, no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e na América Latina.
No Brasil, a POCO ganhou presença oficial por meio da DL Eletrônicos, distribuidora autorizada da Xiaomi. Modelos como o Poco X5 Pro, Poco F4 e Poco M5 passaram a ser vendidos em lojas físicas e na internet, tornando a marca uma opção cada vez mais conhecida no país.
A era do HyperOS e da IA
Em 2023 e 2024, a Xiaomi lançou o HyperOS — um sistema operacional completamente reformulado, mais bonito, mais rápido e com muito mais recursos de inteligência artificial. A POCO adotou o mesmo sistema, o que deu aos seus celulares uma experiência de software muito mais moderna e competitiva.
Com o HyperOS 2 (2024) e o HyperOS 3 (2025), os celulares POCO passaram a ter funcionalidades de IA que antes só existiam em aparelhos muito mais caros: tradução em tempo real, transcrição automática de áudio, edição de fotos com inteligência artificial e personalização avançada da interface.
A linha do tempo da POCO: do nascimento até hoje
| 2018 | Agosto: lançamento do Pocophone F1 na Índia — nasce a POCO como submarca da Xiaomi. O celular vende 700 mil unidades em três meses. |
| 2019 | Saída de Jai Mani, criador original da POCO. Nenhum novo celular é lançado. O mercado especula sobre o fim da marca. |
| Jan 2020 | A POCO India se torna uma marca independente da Xiaomi. Lançamento do Poco X2, Poco F2 Pro e Poco M2 Pro. |
| Nov 2020 | A POCO Global também se torna independente. A marca já está em mais de 35 países e vendeu 6 milhões de celulares. |
| 2021 | Explosão de lançamentos: Poco F3, Poco X3 Pro, Poco M3 Pro 5G. Novo logotipo e identidade visual. Chegada ao mercado europeu com força. |
| 2022 | Lançamentos do Poco F4, Poco X4 Pro 5G. A marca consolida sua presença na América Latina, incluindo o Brasil. |
| 2023 | Poco F5 e F5 Pro chegam com processadores de ponta. Início da adoção do HyperOS. POCO supera 100 milhões de celulares vendidos globalmente. |
| 2024 | Lançamentos do Poco F6 e F6 Pro com HyperOS 2 e recursos de IA. Expansão da linha X com o X7 e X7 Pro. |
| Nov 2025 | POCO F8 Pro e F8 Ultra chegam com Snapdragon 8 Elite, baterias de 6.210 a 6.500 mAh, áudio Bose e HyperOS 3. |
| Mar 2026 | Lançamento da série POCO X8 Pro e X8 Pro Max — com bateria de 8.500 mAh e processador Dimensity 9500s. POCO X8 Pro chega oficialmente ao Brasil. |
O que faz a POCO ser a POCO?
Ao longo de todos esses anos, uma coisa nunca mudou na POCO: a filosofia. Desde o primeiro dia, a marca se posicionou como a escolha para quem recusa pagar o dobro pelo mesmo. É uma marca que acredita que a tecnologia de ponta não deveria ser um luxo — deveria ser acessível.
Isso se traduz em algumas características que praticamente todos os celulares POCO têm em comum: processadores potentes para o preço, baterias maiores do que a média, sistemas de resfriamento para manter o desempenho em jogos, e displays de alta taxa de atualização para uma experiência mais fluida.
Não à toa, a POCO se tornou a favorita dos gamers — pessoas que jogam no celular e precisam de velocidade, estabilidade e autonomia. Mas ao longo dos anos, a marca foi expandindo seu apelo para um público mais amplo: criadores de conteúdo, estudantes, profissionais e qualquer pessoa que queira um smartphone que faz muito sem custar uma fortuna.
| A POCO sempre acreditou que a melhor tecnologia do mundo não deveria ser exclusiva para quem tem dinheiro sobrando. Essa ideia simples — e revolucionária — é o coração de tudo que a marca já fez e ainda vai fazer. |
A POCO no Brasil
A relação da POCO com o Brasil é uma história de amor gradual. O Pocophone F1 chegou por aqui em 2019, distribuído pela DL Eletrônicos, pelo preço de R$ 2.999 — um valor que, na época, comprava um celular muito menos potente de marcas tradicionais.
Com o tempo, mais modelos foram chegando. A expansão da Xiaomi no Brasil abriu espaço para que a POCO tivesse presença em lojas físicas e no e-commerce nacional. Em março de 2026, a marca fez um lançamento oficial no Brasil com o POCO X8 Pro — um evento com presença da imprensa, transmissão ao vivo e vendas a partir de R$ 6.999.
O lançamento marcou uma virada na estratégia da marca no país: não é mais só aquele celular que você importa na China. A POCO quer ser uma marca presente, com suporte, garantia e distribuição local.
O futuro: para onde a POCO está indo?
Com mais de 100 milhões de celulares vendidos e presença em dezenas de países, a POCO chegou a 2026 mais forte do que nunca. Os lançamentos recentes mostram uma marca que amadureceu: não se trata mais apenas de colocar o chip mais rápido no celular mais barato. A POCO está cada vez mais preocupada com a experiência completa.
Baterias maiores, áudios melhores (a parceria com a Bose no F8 Pro foi um marco), câmeras mais versáteis e software mais inteligente — tudo isso indica que a marca está mirando um público mais exigente sem abandonar seu DNA de custo-benefício.
Os rumores para os próximos anos falam em expansão para acessórios — fones de ouvido, smartwatches e até carregadores —, criando um ecossistema completo em torno dos celulares. Assim como a Xiaomi fez com sua linha de produtos para a casa, a POCO pode estar prestes a virar um universo completo de tecnologia acessível.
Uma coisa, porém, parece certa: independente de onde a POCO for, ela vai levar junto a mesma promessa que fez no dia em que surgiu — tecnologia de ponta sem cobrar uma fortuna por isso.
Conclusão: uma pequena grande revolução
A história da POCO é, no fundo, a história de uma ideia que parecia simples demais para funcionar. Uma equipe pequena dentro de uma grande empresa decidiu que era hora de acabar com a lógica de que celular bom tem que ser caro.
Em menos de oito anos, essa ideia se transformou em uma marca global, com dezenas de modelos, presença em mais de 50 países e milhões de fãs ao redor do mundo. A POCO provou que é possível democratizar a tecnologia de ponta — e que os consumidores estavam esperando exatamente por isso.
Da Índia para o mundo. De uma pequena equipe para uma empresa independente. Do Pocophone F1 ao F8 Pro e ao X8 Pro Max. A POCO cresceu muito — mas nunca esqueceu de onde veio.
| E é por isso que, quando você segura um celular POCO na mão, está segurando um pedaço de uma história maior: a história de que a melhor tecnologia não precisa custar uma fortuna. Ela precisa apenas de uma boa ideia — e de pessoas corajosas o suficiente para acreditar nela. |
Se a POCO já impressiona, a origem disso tudo é ainda mais estratégica.
Tudo começa na Xiaomi — e entender essa história muda completamente sua visão sobre custo-benefício em tecnologia.
