Realme é da Xiaomi? É da OPPO? Mas afinal, o que é isso?

Realme é da Xiaomi
Mascotes da Realme e Xiaomi simbolizam a disputa direta entre as marcas pelo público jovem e pelo melhor custo-benefício.

Introdução

Se você já ficou confuso na hora de comprar um celular e se perguntou “Realme é da Xiaomi? É da OPPO? Mas afinal, o que é isso?”, saiba que você não está sozinho. A Realme é uma das marcas que mais crescem no mundo e, ao mesmo tempo, uma das mais mal compreendidas pelo consumidor brasileiro. A história dela é cheia de reviravoltas: nasceu dentro de uma gigante, fugiu para ser independente, conquistou mercados em tempo recorde e ainda tem um capítulo fresquinho sobre voltar às origens. Bora entender tudo isso do começo.


As Origens: Filha da OPPO, Neta da BBK

Para entender a Realme, é preciso conhecer primeiro a família por trás dela. A BBK Electronics é uma das maiores conglomeradas de tecnologia do mundo — e uma das menos conhecidas pelo grande público justamente porque ela prefere operar nos bastidores, deixando as marcas falarem por si. Dentro do guarda-chuva da BBK estão nomes como OPPO, Vivo, OnePlus e Realme — cada uma mirando um público diferente, com propostas e estratégias de marketing bem distintas.

Sob o nome “OPPO Real”, a Realme deu as caras pela primeira vez na China ainda em 2010, como uma divisão da OPPO Electronics Corporation. Durante anos, funcionou como uma linha de produtos dentro da OPPO, sem identidade própria. Mas isso ia mudar em 2018.

Fundada oficialmente em 4 de maio de 2018 por Li Bingzhong, mais conhecido como Sky Li, a Realme se estabeleceu como uma marca independente com a proposta de oferecer dispositivos com excelente custo-benefício. Sky Li não era um nome qualquer: ele era vice-presidente da OPPO e largou o cargo para apostar em algo novo. Em maio de 2018, a Realme iniciou seu processo de separação da antiga empresa-mãe, assumindo total responsabilidade pelo processo de fabricação, distribuição e criação dos smartphones, sem qualquer associação com a OPPO.

O nome carrega uma filosofia. Ao ser separado e traduzido, “Realme” fica claro: o verdadeiro eu. O slogan da marca — “Dare to Leap”, ou “Ouse Ir Além” — reforça essa identidade jovem e desafiadora.


O Primeiro Produto e a Aposta na Índia

realme 1 primeiro modelo
O Realme 1 marcou a estreia oficial da marca em 2018 e chamou atenção pelo design moderno e preço competitivo, iniciando sua rápida expansão no mercado global.

Ao contrário do que muitos pensam, a Realme não estreou na China. Seu primeiro modelo a chegar ao mercado foi o Realme 1, anunciado em maio de 2018, com recursos modernos como display com aspecto 18:9, chipset Helio P60 e preço inicial equivalente a US$ 135. Apesar de chinesa, sua primeira grande aposta foi no mercado indiano — onde foi um sucesso instantâneo e a marca rapidamente se tornou a segunda maior fabricante de celulares do país.

Os números da época são impressionantes. Em apenas sete meses desde sua fundação, a Realme já ocupava o terceiro lugar em vendas na Índia — um país com mais de um bilhão de pessoas. O Realme 2 vendeu 200 mil unidades em apenas 5 minutos. E isso sendo ainda uma marca com menos de dez produtos no portfólio.

A estratégia era simples e eficiente: oferecer especificações de ponta a preços que a concorrência não conseguia bater. Na Índia, a Realme criou um verdadeiro milagre nas vendas ao comercializar 1 milhão de celulares em 3 dias durante o Diwali, a maior festa popular indiana. Ela também quebrou recordes de vendas na Lazada, o grande e-commerce asiático do grupo Alibaba, tornando-se a marca número 1 na categoria de telefonia móvel da plataforma.


Crescimento Explosivo e Expansão Global

Com o sucesso na Índia consolidado, a Realme acelerou sua expansão. A marca tem como objetivo declarado democratizar a tecnologia, trazendo funções de ponta em aparelhos de uma faixa de preço mais ampla, com a finalidade de empoderar os jovens de todo o mundo.

Além de Brasil e Índia, a Realme também atua em vários outros países, incluindo Indonésia, Vietnã, Tailândia, Filipinas, Malásia, Cingapura, Paquistão, Nepal, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito, Itália, Espanha, França, Inglaterra, Rússia e China.

Em apenas três anos de existência, a marca saltou da 47ª posição entre as maiores fabricantes para a 6ª. Somente no terceiro trimestre de 2021, a Realme cresceu 831% em vendas de smartphones 5G. Para se ter ideia do tamanho dessa façanha, Samsung e Apple levaram décadas para construir o que a Realme fez em poucos anos.


Realme ou Xiaomi? A Confusão que Todo Mundo Tem

Antes de falar sobre o Brasil, vale esclarecer de uma vez por todas a dúvida que mais aparece nas buscas: Realme é da Xiaomi? A resposta é não — e as duas são concorrentes diretas.

A maior diferença entre Xiaomi e Realme, na prática, está no portfólio e na penetração de mercado. As linhas Realme e Xiaomi trazem celulares com processadores, tecnologias, memória, armazenamento, conectividade e conjuntos de câmera equivalentes. Além disso, o investimento em marketing das duas marcas é bastante elevado, com campanhas de divulgação fortes nos mercados em que atuam.

A confusão é compreensível: as duas são chinesas, miram o público jovem, vendem barato e entregam muito. Mas são empresas completamente separadas, com grupos controladores diferentes e estratégias independentes.


A Chegada ao Brasil (2021)

Diferente da Xiaomi, que chegou ao Brasil em 2015 e sofreu uma saída humilhante antes de voltar, a Realme estreou no país de forma mais cautelosa e mais madura. No Brasil, a Realme desembarcou no início de 2021 com os smartphones Realme 7 e Realme 7 Pro.

A escolha dos modelos foi estratégica: os dois aparelhos tinham especificações intermediárias sólidas e preços agressivos, perfeitos para um mercado que adora tecnologia mas que tem o bolso apertado. A distribuição foi feita por grandes varejistas online e físicas, sem a necessidade de lojas próprias logo de cara — uma lição aprendida talvez olhando para os erros dos concorrentes.

Em 2024, com apenas três anos de operação no Brasil, a Realme já figurava entre as 10 principais marcas de celulares do mercado nacional. E o crescimento não parou por aí.


Consolidação e Superando a Apple no Brasil

O desempenho da Realme no Brasil em 2025 surpreendeu até os analistas mais otimistas. Em meados de 2025, a Realme ultrapassou a Apple em participação no mercado brasileiro, chegando a 7% contra 5% da gigante de Cupertino. Isso mesmo: uma marca com quatro anos de Brasil batendo a Apple, que atua no país há décadas.

A Realme se estabeleceu com escritório local, modelos homologados pela Anatel e venda direta no varejo, com foco no custo-benefício. Essa presença oficial faz toda a diferença para o consumidor: garantia local, assistência técnica e atualizações de software em dia.


O Ecossistema Realme: Além dos Celulares

Assim como a Xiaomi, a Realme não quer ser só uma fabricante de smartphones. A filosofia da marca é chamada de 1+5+T: o “1” é o smartphone, a central de controle de tudo. O “5” representa laptops, TVs, smartwatches, fones de ouvido TWS e tablets. E o “T” vem de Techlife — uma vida inteligente e integrada, que inclui dispositivos de casa inteligente, cuidados pessoais e diversas outras frentes.

No Brasil, além dos smartphones, a marca já vende pulseiras e relógios inteligentes e fones de ouvido Bluetooth, com o portfólio sendo expandido progressivamente.

E a inovação continua em ritmo acelerado. Em setembro de 2025, a Realme anunciou planos para lançar no início de 2026 um smartphone equipado com uma bateria de 15.000 mAh, combinando alta capacidade energética com design fino, mantendo espessura inferior a 8,5 mm e peso aproximado de 210 gramas.

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O ecossistema da Realme reúne smartphones, smartwatches e fones sem fio com foco em custo-benefício e integração entre dispositivos.

O Capítulo Mais Recente: De Volta à OPPO

A história da Realme ganhou um novo capítulo surpreendente no início de 2026. A Realme deixou de operar como empresa independente e voltou a ser uma submarca da OPPO. A reestruturação tem como objetivo unificar cadeias de suprimentos, compartilhar recursos de pesquisa e desenvolvimento e reduzir custos operacionais.

Sky Li, fundador e CEO da Realme, passará a supervisionar os negócios de todas as submarcas do grupo. A reestruturação prevê ainda que a Realme passe a utilizar a rede de serviço de pós-venda da OPPO. Para o consumidor final, a promessa é que as marcas mantenham cronogramas de lançamentos e identidades de marketing separadas — ou seja, na prática, você ainda vai ver Realme como Realme nas lojas.

É um movimento que lembra o que aconteceu com a OnePlus anos antes: nascer independente, crescer, e eventualmente retornar ao abraço da empresa-mãe. No mundo corporativo, isso se chama sinergia. No dia a dia, o que importa é que os produtos continuem entregando o que sempre entregaram: muito smartphone por pouco dinheiro.


Conclusão

A Realme é a prova de que dá para entrar tarde em um mercado saturado e ainda assim fazer barulho. Com apenas alguns anos de existência, a marca saiu da sombra da OPPO, conquistou a Índia, espalhou-se pelo mundo, chegou ao Brasil sem fazer drama e ultrapassou a Apple em participação de mercado nacional. Tudo isso com a filosofia simples de que tecnologia de qualidade não precisa custar uma fortuna.

Seja chamada de filha da OPPO, prima da Xiaomi ou simplesmente “aquela marca barata que todo mundo está comprando”, uma coisa é certa: a Realme veio para ficar — e o consumidor brasileiro já percebeu isso.

Para entender o crescimento da Realme, é importante olhar para o cenário maior do mercado chinês. Antes dela, marcas como a Xiaomi já haviam aberto caminho. Por isso, vale conhecer também a história da Xiaomi, um dos casos mais impressionantes de expansão global no setor de tecnologia.

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